Eador: Masters of the Broken World oferece uma forma peculiar de cooperação: você e outro Mestre entram em um fragmento como rivais e podem formar uma aliança para lutar lado a lado. O coop na mesma tela funciona por turnos no modo hotseat; o Steam Remote Play Together permite que um amigo entre nessa mesma sessão remota por turnos. A aliança é temporária e não transforma a campanha Astral para um jogador em uma história compartilhada. Eador combina com amigos que gostam de longas sessões de estratégia, negociações e da possibilidade de apenas uma pessoa vencer — não com quem procura uma campanha tradicional em que todos permanecem no mesmo time até os créditos.
Um fragmento, vários Mestres
O universo de fantasia de Eador é formado por mundos flutuantes chamados fragmentos. Cada fragmento é um mapa estratégico independente, dividido em províncias hexagonais com fortalezas, assentamentos neutros, monstros e lugares escondidos. Em uma Shard Game, cada Mestre começa com uma capital e um pequeno território e, depois, se expande pelo mapa. O objetivo geral é derrotar os Mestres rivais conquistando suas fortalezas. Você também pode fazer uma aliança com outro Mestre. Enquanto o pacto durar, vocês lutam juntos em vez de tentarem expulsar um ao outro do fragmento. Assim, os dois compartilham um objetivo dentro de uma partida que continua competitiva, sem promessa de vitória conjunta.
Battle Mode é diferente: nele, o foco é uma luta única com exércitos personalizados. O modo pula a expansão gradual pelo mapa e se concentra no confronto tático, permitindo comparar exércitos sem desenvolver um fragmento primeiro. Essa modalidade é de combate entre jogadores, não a cooperação por alianças descrita aqui. A campanha é outro formato separado: acompanha um Mestre por uma sequência de conquistas de fragmentos e escolhas da história, mas é para uma pessoa só. Os menus e as categorias da loja podem dar a impressão de que o coop abrange mais modos; essa diferença importa se o grupo procura uma campanha realmente compartilhada.
No hotseat, o mapa fica em um computador e cada pessoa assume os controles quando chega sua vez. O Steam Remote Play Together pode transmitir essa mesma sessão por turnos para os computadores dos amigos, então vocês também jogam à distância na tela compartilhada. As partidas online em Shard Game são outra opção, mas a disponibilidade atual do matchmaking oficial é incerta. Um patch da comunidade acrescenta partidas por LAN, inclusive com ferramentas de rede virtual; essas opções exigem configurações separadas. O hotseat presencial não depende de servidor. Remote Play Together é a opção remota mais clara para grupos que aceitam compartilhar a tela e jogar por turnos.
Um turno vai da fortaleza à natureza selvagem
A fortaleza é o centro econômico do fragmento. É lá que você contrata heróis, recruta soldados, melhora o assentamento e libera opções para os próximos turnos. As quatro classes básicas — Guerreiro, Batedor, Comandante e Mago — oferecem caminhos diferentes para exploração e combate. Os heróis lideram os exércitos, porque soldados não podem atravessar o mapa sozinhos. A classe e as habilidades influenciam o tamanho do exército, o movimento e a força nas batalhas; o equipamento acrescenta outra camada de desenvolvimento.
Em geral, um herói tem uma ação principal por turno: mover-se, atacar uma província, explorar um local ou realizar outra ação disponível. Isso faz do mapa uma sequência de decisões, em vez de um fluxo contínuo de ordens. Você e seu amigo acompanham a expansão um do outro, mas a aliança não elimina os turnos separados. Enquanto um Mestre explora uma ruína ou toma uma província de fronteira, a outra pessoa pode consultar a fila de construções da fortaleza, conferir as unidades ou acompanhar o mapa como um todo. No hotseat, porém, as decisões de quem está jogando continuam visíveis para todos.
As províncias neutras são os primeiros obstáculos entre a capital e o restante do fragmento. Algumas podem ser conquistadas pela diplomacia; outras têm defensores e levam a uma luta inevitável. Explorar revela pontos de interesse como ruínas, masmorras e outros encontros. Eles podem render ouro, gemas mágicas, equipamentos, experiência ou outros recursos. Uma batalha pode abrir caminho para um novo território, mas não é necessário conquistar todas as províncias: tomar a capital inimiga pode decidir a disputa pelo fragmento. Assim, as fortalezas rivais continuam no centro da estratégia, mesmo enquanto os heróis exploram locais próximos e ficam mais fortes.
O mapa também apresenta várias decisões pequenas fora dos combates. Assentamentos pedem proteção ou investimento; eventos aleatórios podem trazer uma escolha moral ou uma ameaça inesperada. Você pode negociar com os habitantes, construir estruturas que aumentam a renda das províncias ou recrutar guardas para defender territórios vulneráveis. A aliança é útil para além de uma tela de batalha compartilhada: dois Mestres podem seguir seus próprios planos de economia e exploração enquanto o pacto altera quem é o inimigo do momento. Ainda assim, eventos e diplomacia fazem parte de um conjunto de regras mais amplo e às vezes pouco claro, não de uma sequência simples de missões cooperativas.
As batalhas mostram os exércitos de perto
Quando os exércitos se encontram, a visão muda para um campo de batalha separado, dividido em hexágonos. Cada lado posiciona unidades individuais ao redor de seu herói. Terreno, posição, resistência, moral, equipamentos e habilidades especiais influenciam o resultado. A luta não se resolve com um clique em uma única pilha de soldados. As unidades agem em grupos por facção, e um movimento pode deixar um soldado exposto enquanto abre espaço para outro. Heróis usam magias e habilidades; as tropas têm ataques e características próprias. Os confrontos são mais detalhados do que os marcadores de província do mapa estratégico fazem parecer.
Uma aliança entre Mestres não combina os exércitos dos dois jogadores em uma única força controlada por ambos. Ela muda a relação política no fragmento: Mestres aliados podem enfrentar os adversários restantes e continuam cuidando de seus próprios heróis, tropas e fortalezas. No hotseat, a passagem de turnos e as decisões separadas fazem parte da sessão. Nos dois formatos, a partida continua centrada em um fragmento compartilhado, sem se transformar em uma campanha persistente. Cooperar significa coordenar-se pelo mapa e manter o pacto entre governantes rivais, não controlar cada unidade tática em conjunto.
Os exércitos crescem tanto na fortaleza quanto no campo de batalha. Edifícios liberam novos tipos de unidades, magias, equipamentos e melhorias econômicas; cada fortaleza tem limites para algumas opções de nível mais alto. Unidades individuais ganham experiência e habilidades, enquanto os heróis sobem de nível e fazem escolhas ligadas à classe. Um soldado que sobrevive a várias batalhas representa um investimento valioso, então o resultado de uma luta pode influenciar o que você consegue pagar e colocar em campo mais adiante. O recrutamento e os equipamentos também ajudam a diferenciar as forças dos dois jogadores, mesmo quando começaram com opções gerais de classe parecidas.
Esse crescimento está ligado ao fragmento atual. Na campanha Astral para um jogador, conquistar um fragmento pode expandir o mundo do seu Mestre e afetar a sequência de encontros seguintes. Uma Shard Game multijogador, por outro lado, acontece em um único mapa compartilhado; não é uma versão cooperativa de toda a campanha com progresso persistente em conjunto. O DLC Allied Forces, vendido separadamente, adiciona unidades, mas não é necessário para descrever os modos básicos. Eador oferece uma cooperação ampla por meio de alianças em uma partida competitiva; a maior parte do progresso de história a longo prazo fica no modo para um jogador.
Um mundo que recompensa a paciência e também a exige
Eador combina um cenário cósmico austero com um mapa medieval de fantasia cheio de detalhes. Fragmentos flutuam por um espaço Astral vazio e então se revelam como paisagens divididas por limites provinciais luminosos. Fortalezas, florestas, costas, ruínas e territórios hostis ficam próximos uns dos outros. O contraste deixa a expansão visível: dá para ver onde termina seu território e começa a próxima província desconhecida. Nas batalhas, o campo separado em hexágonos destaca os exércitos e o terreno; efeitos mágicos e criaturas fantásticas dão um tom teatral aos confrontos.
O tom mistura situações de alto risco com um humor seco ocasional nos eventos e diálogos. Uma província pode pedir recursos, solicitar proteção ou reagir a um incidente local estranho. Essas interrupções fazem o mapa parecer habitado, em vez de um campo vazio de conquista. O sistema de eventos também é imprevisível: uma escolha aparentemente inofensiva pode terminar de outro jeito. Se seu grupo quer uma história cooperativa fluida e bem roteirizada, a sequência aberta de decisões no mapa pode parecer indireta. Se você gosta de ver o Mestre de um amigo negociar, crescer e disputar o mesmo mundo, esse ritmo irregular faz parte do jogo.
As partidas nos fragmentos também variam. Mapas, distribuição das províncias, facções neutras, construções disponíveis e pontos de interesse mudam o rumo da expansão em cada partida. As quatro classes de herói oferecem formas diferentes de liderar; especializações, magias, equipamentos e escolhas de unidades dão mais personalidade aos exércitos. Um mapa aleatório também pode gerar começos desiguais ou um início difícil, algo que jogadores já criticaram. A rejogabilidade vem de descobrir como os sistemas se combinam em um fragmento novo, mas a mesma imprevisibilidade pode deixar uma partida menos equilibrada do que um mapa competitivo fixo.
Eador combina com o seu grupo?
Eador combina com amigos que gostam de longas sessões de estratégia por turnos e aceitam que uma aliança pode terminar com uma só pessoa vencendo. O hotseat reúne todo mundo em um computador; Remote Play Together leva esse formato visível de turnos alternados para outra distância. A disponibilidade atual do matchmaking online nativo é incerta, e a LAN depende de um patch da comunidade. Para jogar à distância, Remote Play Together é o caminho mais claro sem depender do antigo servidor de matchmaking, mas seu amigo também verá seus turnos.
O jogo tem muitos sistemas e uma curva de aprendizado íngreme; a interface também pode deixar alguns detalhes difíceis de entender. As batalhas táticas, a evolução dos heróis e a administração das províncias dão profundidade às regras, mas o volume de sistemas, encontros repetidos, ritmo lento e equilíbrio variável dos mapas aleatórios podem tornar a experiência irregular. Seu grupo vai passar bastante tempo com um jogo de estratégia denso, então Eador faz mais sentido quando esse tipo de decisão prolongada também é parte da diversão. A aliança entre Mestres cria um fio cooperativo real no mapa compartilhado. Se vocês procuram parceiros em uma campanha totalmente cooperativa, regras mais claras ou turnos rápidos, vão encontrar aqui uma proposta bem mais competitiva e complexa.